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A ERA DO AÇO

POR JULIANA NAKAMURA



Embora o uso da estrutura metálica no Brasil ainda esteja restrito, nos últimos anos a demanda por soluções desse tipo vem crescendo. A escolha é feita, principalmente, por clientes que necessitam de racionalização na obra e de projetos eco eficientes.

Desde o século 18, quando europeus e norte-americanos passaram a conceber edificações com o uso de estruturas metálicas, muitos arquitetos utilizaram as propriedades desse sistema para conceber soluções arrojadas, com alto índice de industrialização e precisão. No hemisfério Norte, não faltam exemplos de arquitetura de vanguarda concebida sobre pilares e vigas de aço: da turística Torre Eiffel, em Paris, aos arranha-céus norte-americanos da Escola de Chicago e, mais recentemente, às pontes e passarelas de Santiago Calatrava, com exemplares na América Latina – como a Ponte da Mulher, em Puerto Madero, Buenos Aires.

Apenas nos últimos 15 anos o Brasil começa a explorar com mais intensidade essa alternativa estrutural. Enquanto na Inglaterra cerca de 70% dos prédios com mais de quatro andares usam estrutura de aço, no Brasil, com uma cultura construtiva que sempre se baseou no concreto, esse percentual não passa de 5%.

Mas as perspectivas são de crescimento. Pelo menos é essa a opinião (e expectativa) das siderúrgicas, dos montadores e dos especificadores. José Eliseu Verzoni, presidente da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem) e diretor da Metasa, crê em uma taxa de crescimento superior a 10% ao ano. Além disso, dados do Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) indicam que nos últimos cinco anos houve um crescimento de 52% no uso dessa tecnologia por arquitetos, engenheiros e construtores. Em 1990, as edificações com estruturas de aço no País somavam três milhões de metros quadrados; dez anos depois, esse número dobrou.

Tal evolução estaria fundamentada no incremento de produtos e soluções industrializadas que geram menor impacto ambiental, além da expectativa de investimentos em infra-estrutura pelos setores públicos e privados, especialmente a indústria de petróleo e gás e de papel e celulose. “Já está na hora de construirmos de forma mais inteligente, privilegiando os sistemas industrializados, racionais, que apresentem longa vida útil”, argumenta Vanderley John, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP em conferência durante o Congresso Latino-americano de Construção Metálica (Construmetal), promovido em setembro de 2006 pela Abcem, em São Paulo. “A tendência é que se busquem soluções tecnológicas que colaborem para a produção de edificações de qualidade, com materiais mais eficientes e que gerem baixo impacto ao meio ambiente”, continuou Vanderley, que vê na estrutura metálica um dos sistemas com grande potencial para atender tais exigências.

Entre os exemplos que se encaixam nas soluções dadas por Vanderley, despontam projetos como a ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, assinado por Siegbert Zanettini, um dos arquitetos precursores da estrutura metálica no Brasil. “O aço é um material com amplas possibilidades de uso – de grandes edificações a obras-de-arte e mobiliário urbano. O controle de qualidade da indústria, da fundição à usinagem e pintura, e a precisão milimétrica da montagem são muito superiores em comparação ao método artesanal”, acrescenta o arquiteto.

O Cenpes, uma construção predominantemente horizontal, propõe edificações intercaladas por espaços abertos e áreas cobertas enriquecidas com jardins de restinga. “A Petrobras quer reforçar sua imagem de empresa fornecedora de fontes limpas de energia. Em um projeto cuja proposta era ser ecoeficiente e dotado de avançadas tecnologias de reúso de água e de melhor aproveitamento de energia, não fazia sentido dispensarmos os sistemas construtivos limpos e de montagem no canteiro”, comenta Zanettini. Na obra do Cenpes utilizou-se, além da estrutura metálica, lajes de steel deck, vedações externas em painéis pré-fabricados de concreto e divisórias internas de drywall.

Além das motivações ambientais, na maior parte dos empreendimentos o que determina o uso ou não de um determinado sistema construtivo é a sua pertinência técnica e o custo x benefício. Em geral, a competitividade da construção metálica está atrelada ao tempo de execução e às condições do canteiro. Segundo cálculos da Abcem, quando o projeto é desenvolvido com previsão de uso da estrutura metálica, a redução no peso da edificação permite economia de até 30% nos custos das fundações. Já o tempo de execução das obras pode ser reduzido em até 40%, o que torna o sistema especialmente atrativo para obras de cronograma apertado. Assim, além de obras de infra-estrutura, fábricas e galpões, a estrutura metálica encontra maior aplicação em edificações de uso comercial público (supermercados e shoppings, por exemplo), educacionais, hospitalares, hoteleiros e em edifícios-sede.

“No caso das residências, quando a falta de escala inviabiliza o uso da estrutura metálica tradicional, a melhor solução é o steel framing”, diz o arquiteto Roberto Inaba, da superintendência de desenvolvimento da aplicação do aço da Usiminas/Cosipa. Específica para residências e para edifícios de até sete pavimentos, a construção com perfis leves de aço galvanizado se caracteriza pela alta velocidade de execução decorrente da facilidade de montagem dos perfis e instalação dos painéis de fechamento, e pelo baixo peso, que reduz gastos com fundações. Hoje há no Brasil todos os materiais necessários para esse tipo de construção. Além disso, a Caixa Econômica Federal (CEF) dispõe de manual com critérios básicos para financiar obras construídas pelo sistema. “O steel framing permite fazer a construção como o arquiteto deseja. No entanto, poucos profissionais conhecem esse sistema. Isso faz com que, quando se projeta com ele, o produto final ainda tenha aquele jeitão de casa de subúrbio norte-americano”, lamenta Inaba.

De fato, a pouca familiaridade com a construção em aço – que muitas vezes faz com que não se aproveitem todas as virtudes do material e que, em uma comparação com outros sistemas mais tradicionais, o aço saia perdendo – é apontada por fornecedores e especificadores como a principal barreira ao maior desenvolvimento do sistema. “Há situações em que o calculista, por desconhecer as particularidades da construção em aço, não esmiúça a engenharia. O resultado é um projeto superdimensionado, pesado e inviável economicamente”, comenta Marcos Cardoso, diretor da Systemac, empresa especializada em estrutura metálica.

“A ausência de uma estética brasileira para construções em aço também é um grande obstáculo a ser superado”, lembra o arquiteto mineiro Gustavo Penna. “Precisamos de criatividade. Hoje praticamente não há inovação e o que prepondera é a citação do que já existe. O Brasil criou uma estética em concreto, então, por que não pode criar uma com o aço?”, questiona Penna, autor de diversos projetos concebidos em estrutura metálica, como a Escola Guignard, em Belo Horizonte, e o Expominas, também na capital mineira, onde o aço foi empregado para obter, nos três pavilhões, vão livres de 75 m e pés-direitos de 17,50 m. Zanettini concorda e defende a exploração da tridimensionalidade inerente à estrutura metálica. Para ele, não faz sentido tentar conferir ao aço a robustez da pedra, o calor da madeira, a plasticidade do concreto ou a maleabilidade do plástico. “Fazer isso é não entender a gramática e a semântica da construção em aço, ou seja, é não expressar de modo correto a sua linguagem”, ensina.

O sistema não peca em tecnologia para aumentar as opções de uso – a evolução, aliás, anda a passos largos. Para proteção passiva, por exemplo, já há uma série de recursos de proteção ao fogo, caso das fibras projetadas, da argamassa projetada à base de vermiculita, das placas de lã de rocha e de gesso acartonado, além das tintas intumescentes e do enclausuramento com concreto. Ao mesmo tempo, os próprios perfis vêm evoluindo, adquirindo maior flexibilidade de aplicação, com novos desenhos e abas assimétricas, e maior resistência, o que garante maiores vãos.



Fontes:

http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/152/estruturas-metalicas-34881-1.aspx


http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/152/artigo34881-2.aspx